Pormenores de um Portugal cheio de segredos!

Por esta altura do ano já podemos encontrar orquídeas selvagens nos nossos campos, foi o que me aconteceu hoje ao encontrar uma Cephalanthera longifolia, que sempre conheci na minha zona como “lágrimas brancas”, não sei se pelas suas pequenas flores brancas se assemelharem talvez a “gotas” quando semi-abertas, nunca as conheci por outro nome.

Conheço algumas espécies de orquídeas em Portugal, todas orquídeas terrestres. Umas que nascem em solos pobres e secos, outras como esta que gosta de locais mais ou menos húmidos. Esta espécie costumo encontra-la sempre em zonas de pinhal ou em zonas de sobro, locais com média luz, protegida da luz directa do sol.

A Cephalanthera longifolia pode encontrar-se em floração de março a julho dependendo do tempo, passa grande parte do ano despercebida debaixo do solo tal como muitos outros tubérculos.

É uma planta autóctone e comum no nosso país, distribuindo-se na zona oeste e sul do continente europeu, estando em perigo de desaparecer em alguns países mais a norte. Por exemplo no Reino Unido é considerada uma espécie prioritária a proteger, tal é o perigo de se vir a extinguir. No concelho de Mação apenas conheço quatro locais onde existem este tipo de orquídea, dois deles já foram destruídos há uns dois ou três anos atrás, onde hoje existem plantações de eucaliptos. A mobilização dos solos provocam grandes alterações na terra e esta planta tende a morrer e desaparecer.

Olhando para esta bela orquídea observamos as suas folhas grandes e estreitas donde deriva parte do seu nome “longifolia”, mede cerca de 30 cm de altura , tem cerca de dez a vinte flores brancas com cerca de 1cm sendo o labelo de cor amarela. Depois de polinizadas as flores dão origem ao fruto, uma cápsula que quando seca liberta milhares de sementes microscópicas que são dispersadas pelo vento. Mas, apesar de serem tantas sementes, isto não quer dizer que todas deem origem a uma nova planta, pois esta semente desprovida de reservas depende de uma simbiose (micorriza) com um fungo para poder vingar, pelo que os locais onde existam são muito importantes, pois ali existem os fungo de que dependem tais associações simbióticas.

Um pormenor muito engraçado nesta planta é o facto do pedúnculo (haste que suporta as flores) parecer ter sido “torcido” ora reparem bem na foto. Curioso não!?

Abraço!

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