Entre dois concelhos (Parte 4) Entre azenhas…

Na verdade já estive nesta velha azenha há cerca de uns quinze anos atrás e nessa altura ainda conservava o telhado e a janela. Hoje nota-se bem que os anos vão passando por ela… mas mesmo assim existem ainda muitos objectos que outrora outras gentes deram uso.

Por ali encontramos sapatos, panelas, baldes e peças de ferro que fariam algum sentido quando naquele local se moía o cereal. Não faço ideia da ultima vez que esta azenha trabalhou, mas se aquelas paredes falassem estou certo que muitas histórias me poderiam contar, tempos em que gentes percorreriam aqueles vales hoje visitados apenas de tempos a tempos…

Desço ao cabouco da azenha, um local escuro onde já não existem as pás que poriam o rodízio a trabalhar, mas mesmo assim aquelas pedras de granito perduram e nem as enxurradas de inverno as conseguiram tombar.

No teto um pequeno morcego descansa, pena que a foto não tenha ficado nada de jeito, mas fica como registo. Não sou conhecedor da matéria mas parece-me ser um morcego de ferradura.

Volto de novo ao caminho, mas abaixo existe outra azenha, na paisagem procuro sempre algo de novo, uma libélula vermelha pousa num ramo, trata-se de uma Crocothemis erythraea.

Por entre as pedras, desgastada pela água, uma rocha reproduz uma silhueta…a natureza é assim, brinda-nos com simplicidade, e naquela rocha vejo um coração.

Continuo a descer por uma velha levada de água…

…até que chego a dois buracos, também estes vão dar ao cabouco de uma azenha, mas esta em muito mau estado, poucas paredes continuam de pé, e mesmo no local onde a água fazia girar o rodízio hoje cresce um freixo tapando assim a entrada para a parte debaixo da azenha.

Uma mó descansa pouco mais à frente… no outro lado do vale já morou gente, uma casa lá no alto, e grandes socalcos, este então é enorme, ali parecem ter erguido uma grande parede para segurar as terras onde ainda persistem algumas árvores de fruto entre outras espécies que crescem na mata.

Um canto chama-me à atenção, uma pequena toutinegra-do-mato Sylvia undata pousa relativamente perto de mim, esta pequena ave insectívora passa muitas vezes despercebida pois vive praticamente embrenhada no mato, hoje tive sorte, na maior parte das vezes só dou pela sua presença derivado ao seu chamamento.

Bem, uma coisa é certa, o caminho é ribeira abaixo.

No próximo artigo trago novas surpresas de estranhos vestígios que fui encontrando na paisagem.

Abraço

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