“Do pão ao vinho”

Na semana passada fiz um percurso pedestre no Concelho do Sardoal intitulado “Do pão ao vinho”.

O ponto de partida deste percurso começa num local que conheço, pelo menos, há uns 17 anos, fica perto da Cabeça das Mós, apesar de bonito tem algo de diferente.

Lá num recanto continua erguida a Capela da Nª. Senhora da Lapa construída no séc. XVII pela Ordem do Abade João Cansado. Um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público.

Num olhar mais atento reparo que parte do telhado desabou, algo que me desagradou mas vou tentar divulgar o assunto para que algo seja feito.

Naquele lugar ribeirinho muitas são as aves que consigo escutar, entre elas pica-paus, piscos, melros, entre muitas outras.

Muito arvoredo, mas entre elas estão algumas invasoras e as ácacias são as piores de todas, também encontro por lá a tintureira Phytolacca americana, mas também autóctones como o amieiro, choupo-negro, sanguinho-de-água entre muitas outras.

Por entre as folhas de uma tintureira espreita uma corriola-campestre Convolvulus arvensis.

Continuando o percurso encontro uma pequena ponte, não encontro referências mas tem um aspecto antigo.

Mais acima um pequeno canavial Arundo donax, mais uma espécie invasora, esta proveniente da parte ocidental da Europa e do continente Asiático.

Chego a uma antiga azenha em ruínas, por lá encontro umas pessoas na “apanha da azeitona”, engraçado que por baixo do pano estava a marca do percurso pelo que ia seguindo por outro caminho.

Sigo por uma antiga levada junto à Ribeira das Sarnadas, um caminho algo engraçado e em certas parte com vegetação abundante. No final começo a afastar-me da ribeira, para mim esta é a parte mais aborrecida pois passo por uma zona de eucaliptal.

Enquanto caminho vou observando a paisagem sempre em busca de algo…

Ao chegar ao alto de Entrevinhas encontro quatro marcos na paisagem, são moinhos de vento que não mentem que estas paisagens viveram de outras culturas em tempos mais antigos.

Passo por dentro da pequena aldeia e sigo por um estradão passando por algumas quintas que já viram melhores dias. Surpreendo-me ao encontrar um carvalho, este local deveria estar com milhares, mas o contínuo maneio do homem por estes lados levou-o praticamente à extinção.

A cada esquina a natureza vai-me surpreendendo, ora pelas paisagens, ora pela sua fauna ou flora.

Mais uns kilometros e finalmente chego ao ponto de partida. Mais umas fotografias e dou a caminhada por terminada.

Depois de uma pesquisa no site da Direção Geral do Património Cultural encontrei umas notas histórico-artísticas sobre a Capela da Nª. Senhora da Lapa que para aqui transcrevo:

A capela de Nossa Senhora da Lapa terá sido mandada edificar no final do século XVI por António de Almeida e sua mulher Francisca das Neves, proprietários da Quinta do Travaz, situada nas imediações (GONÇALVES, A. Nogueira, 1952).
Composta por dois corpos distintos, correspondentes à capela-mor e ao corpo do templo, esta estrutura foi edificada em duas épocas distintas. Do núcleo primitivo subsiste a capela-mor de planta quadrada, datada de 1598, cujo espaço é coberto por cúpula e decorado com lambril de azulejos azuis e brancos de manufactura seiscentista, mandados executar por Manuel André.
No chão pode ver-se a pedra tumular dos instituidores da capela, onde foi gravada a inscrição : SEPVLTURA / DE ANT(ONI)O DE / ALMEIDA E / DE FRANC/ISCA DAS NE/VÊS INTET/VIDORES. Ao centro foi colocado no século XVII um retábulo de madeira de estrutura maneirista, que alberga no remate uma tábua com a figuração da Anunciação.
O espaço único da nave, edificado em 1669 (Idem, ibidem), é de secção rectangular, iluminado pelo óculo rasgado no registo superior da frontaria. A fachada principal apresenta ao centro portal de moldura rectangular com friso, onde foi gravada a data de edificação, 1669. De ambos os lados do portal foram rasgados dois janelos; o da direita alberga, num nicho, uma imagem de Cristo morto, com a Virgem à cabeceira e Maria Madalena aos pés, datada do século XVII (Idem, ibidem).
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 25 de Julho de 2005 “

O que é mais engraçado neste percurso todo é que não fotografei a parte do “vinho”, que seria as vinhas da Quinta Vale do Armo, e o melhor de tudo é que já conheci aquele local antes de haver vinha e há bastantes anos atrás trabalhei naquele terreno a fazer a despedrega, o trabalho não era fácil mas o sangue era mais novo!

Enfim, recordações.

Abraço!

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