Amieiro “Alnus glutinosa”- Importância e propagação.

Hoje escrevo sobre uma árvore fundamental para os nossos meios ripícolas, o Amieiro Alnus glutinosa, uma espécie que podemos encontrar de norte a sul do país.

As raízes desta árvore são muito ramificadas promovendo a estabilização das margens de rios, ribeiras, lagos e tantos outros ecossistemas aquáticos, estas também suportam longos períodos de submersão ou seja estão perfeitamente adaptadas aos meios aquáticos de água doce.

Esta espécie gosta bastante de luz e tem um crescimento rápido, pelo que é sempre uma boa opção para reflorestação nas proximidades de circuitos de água, ou outros locais mais húmidos.

A sua madeira é bastante usada para a construção de guitarras e outros instrumentos de música, é também muito usada na construção naval devido à resistência que oferece à água, para decoração de móveis interiores entre outras utilizações.

É uma árvore que pode chegar aos 30 metros de altura, apresenta o tronco acinzentado e muito gretado que proporciona habitat a muitos insectos, pertence à família das caducifólias perdendo as folhas nos meses frios.

Os seus frutos são pequenas pinhas que, quando abertas, largam as suas pequenas sementes, que são um petisco para muitas aves, como por exemplo o lugre Carduelis spinus que nos visita nos meses mais frios do ano.

A melhor forma de propagar esta espécie é sem dúvida por semente .

Nesta altura do ano já as pinhas estão a abrir, ora experimentem apanhar umas mesmo que ainda estejam verdes e coloquem-nas num recipiente até estas soltarem as sementes, depois coloquem-nas num vaso. Não precisam de estar muito fundas um centímetro no máximo, na primavera seguinte irão germinar, podem ser mudadas para um vaso maior mal tenham cerca de 10 cm, colocar um prato debaixo do vaso no verão pois gostam de água. Quando tiverem cerca de 40 cm já poderão ser colocadas em local definitivo.

Sem dúvida uma boa iniciativa para ajudarmos um pouco a natureza.

Ao contrário do que muitos pensam as ribeiras não devem estar muito limpas, estas árvores são importantíssimas. Agora que sentimos na pele os problemas do aquecimento global, com Verões mais longos e mais quentes, menos água nos rios e ribeiras, nas nascentes, entre outros, é bom repensar como lidamos com as linhas de água e neste caso com as margens destas. É essencial que estas estejam bem povoadas com estas espécies que nestes meios evoluíram. Além da consolidação das margens também fazem com que a água demore mais tempo a escoar para rios maiores e consequentemente para o mar.

Quanto mais tempo a água levar a chegar ao mar melhor, pois mais se irá infiltrar nos aquíferos subterrâneos.

Um grande problema que esta espécie e outras espécies ripícolas enfrentam é sem dúvida alguma a invasão de acácias que em todos os concelhos do país deveriam ser estudadas e contidas, de que valem os estudos se não existe intervenção. Na minha opinião este problema tem de ser combatido dos nascentes para baixo, pois a sua proliferação acompanha a corrente da água, e para quem se queira dar ao trabalho de observar zonas afectadas por esta espécie verá que quando completamente instalada não existem outras espécies no interior da zona afectada.

Um amial é um local cheio de vida pelo que a sua preservação é fundamental para o bom funcionamento dos habitats ribeirinhos.

Para completar o estudo ainda fiz uma pequena ilustração para aqui apresentar, espero que gostem.

Grande abraço!

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