Pelos picos de Mação.

Pelos picos de Mação.

Este é um nome sugestivo para falar de um local que se situa quase no céu!

Não será bem assim, mas no alto do Castelo Velho da Zimbreira (Envendos – Mação) é a sensação que tenho, quer pelo que a vista alcança, quer pelo facto de os grifos estarem a voar a um nível mais baixo do qual me encontro.

Por ali pouca fauna se vislumbra, quer pelo frio do Inverno, quer pelo estado desolador da paisagem. A par dos grifos apenas encontro andorinhas-das-rochas, uma espécie bem adaptada aos nossos Invernos e à vida entre os penhascos. Mas com o regresso da primavera, e a vontade de vida das plantas, estou certo que esta paisagem daqui a alguns anos voltará a renascer.

Por estes lados em tempos existiu um “castelo”, da idade do bronze final (Séculos VIII, VII a.C.), ali haveria um povoado muito antigo e um castelo muito rudimentar, que hoje em dia já não existe… ou do que existe já muito pouco se percebe. Era um local de vigia e de abrigo, bem podemos compreender quando observamos toda a zona envolvente.

Noto que por ali se procederam a escavações, e segundo sei este local terá sido destruído provavelmente derivado à reflorestação do território com pinheiro, a construção da ventoinha de energia eólica foi a última machadada neste marco histórico. Terão existido duas linhas de muralha, compostas de forma rudimentar, sem auxilio de qualquer argamassa que as sustentasse.

Esta zona é bastante rica em água, algo vital para qualquer população, na zona envolvente encontramos a ribeira da Zimbreira, a da Pracana e o rio Ocreza.

Do portal do arqueólogo tirei esta pequena discrição da altura em que foi encontrado:

(Maria Amélia Pereira- 1968):

“Trata-se de um cabeço de acesso difícel limitado a Norte pela Ribeira do Fundão, a Sul pelo Ocreza e a Leste pela Ribeira de Pracana, onde existe uma muralha ovalada, constituída por “…paredes entre 60 cm e 1 metro que cercam a plataforma do alto, fabricadas em pedra seca, desmoronadas na sua maioria. Mato com altura de um homem impede qualquer investigação pormenorizada, mas na pequena área que fizemos roçar tivemos a surpresa de encontrar vestígios de casas rectangulares, em cujos assentos aparece argamassa.” (Maria Amélia Horta Pereira, Pág. 101). Trabalhos de prospecção realizados recentemente confirmam a existência da muralha, cortada pelo caminho de acesso, levantando-se algumas dúvidas quanto à sua cronologia, já que se a muralha se aproxima da do Castelo Velho do Caratão, que é atribuível à Idade do Bronze Final e à Idade do Ferro (1ª metade do 1.º milénio a.C.), as “casas rectangulares”, que não foi possível relocalizar, sugerem uma cronologia medieval ou mais tardia.

Vale a pena subir lá a cima, e tentar imaginar como seriam as coisas há tantos séculos atrás!

Abraço!

Gady

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