Alicranço – Um lagarto ou uma cobra?!

Um lagarto ou uma cobra?!

“Se a víbora ouvisse e o licranço visse, não havia ninguém que lhes resistisse!”

 

 

Mitos e lendas… “Anguis fragilis (Linnaeus, 1758)” é sem dúvida um animal estranho, talvez pelo facto de ter um aspecto de serpente e de se tratar de um sáurio, neste caso, um lagarto sem pernas. Foi assim que evoluiu até aos dias de hoje. Também pela cor brilhante que têm, que ajudou a que muitos o apelidassem de “cobra-de-vidro”.

 

 

Muitos foram os mitos criados pelo homem, baseados nada mais, nada menos, no desconhecimento e no medo. Ora vejam “picada de licranço, três horas de descanso”! Hoje em dia e graças ao conhecimento sabemos que esta espécie não tem veneno, não é peçonhenta e muito menos agressiva.

Pelo país fora também é conhecido como alicranço, aliscanço, escoparo,  escopro, fura-matos, fura-pastos, licranço, lízaro, luzidio e decerto muitos outros nomes existirão para o mesmo animal.

 

 

Quando o encontrei há dias, tive cuidado quando o agarrei. Não pelo facto de me poder morder, pois este animal é de facto muito dócil. Quem já ouviu dizer “Mais vale perder a cauda do que a vida”? Pois! Este é o lema dos lagartos e lagartixas. Lembro-me em miúdo de ter ficado de boca aberta ao ver lagartixas a soltar a cauda e ela ali ficar aos saltos enquanto o animal desaparecia por entre a vegetação ou as pedras… A natureza atribuiu a estes animais esta estratégia de sobrevivência, a possibilidade de auto-amputarem a cauda. Assim agarrei este animal de forma a que isso não acontecesse.

Este espécime que fotografei trata-se de um macho (podemos encontrar espécimes que apresentam pequenas manchas azuladas), este tinha cerca de 45 cm. A fêmea apresenta os flancos mais escuros.

É um animal ovovíparo, os juvenis são dourados e apresentam os flancos escuros e também uma linha vertebral escura.

A ponta da cauda é grossa. É um animal que se movimenta lentamente…

Encontrei este alicranço num local fresco, com alguma humidade, perto de um ribeiro com muita erva (uma zona de lameiro), mas podes encontrá-lo em jardins ou hortas ou por vezes quando se atravessam na estrada.

São animais bastante benéficos e inofensivos para o homem, alimentam-se de certas “pragas” que aparecem em hortas e jardins. Como lesmas, e outros pequenos invertebrados, pelo que o uso desmedido de pesticidas pode por em causa a existência da espécie. A destruição de habitats também não ajuda…

Para terminar este artigo uma pequena reflexão… “Se a víbora ouvisse e o licranço visse, não havia ninguém que lhes resistisse!”

Bom, bem sei que muita gente chama de alicranço à cobra-cega Blanus cinereus (Vandelli, 1797). E quando vejo este ditado, e sabendo que a língua portuguesa é rica no que toca a dar nomes às “coisas”, chego à conclusão que alguma verdade poderá existir neste ditado popular. Pois se este licranço que falam neste ditado fosse a cobra-cega teria metade de verdade, pois realmente a cobra-cega não vê… No entanto é mais um animal completamente inofensivo para o homem. Não é venenosa nem peçonhenta…

Já escrevi este artigo há uns anos atrás! Leiam aqui sobre a cobra-cega:

https://respiranatureza.com/2012/07/01/cobra-cega-blanus-cinereus/

Bom, ao fim acabei por libertar este animal perto do local onde o tinha encontrado…

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Abraço!!!!

Gady

 

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