Encontraste uma ave debilitada – o que fazer?!

Encontraste uma ave debilitada – o que fazer?!

Há poucos dias logo pela manhã contactaram-me. Havia uma coruja ali perto que não voava, deveria ter algum problema. A minha resposta foi imediata. “Vou já para aí!”. Preparei uma caixa furada com um pano dobrado no fundo, uma toalha e sai de casa…

 

 

Não cheguei a ver o animal pois quando lá cheguei já alguém tinha recolhido a ave para entrega-la num centro de recuperação. Para ser sincero fiquei um pouco pensativo… “será que vai se safar?”

Tratava-se de uma coruja-do-mato Strix aluco. O animal já era adulto, provavelmente vítima de uma colisão, ou talvez doente ou mesmo intoxicada…

 

 

Durante o dia o assunto quase que ficou esquecido, tudo seguiu o seu rumo. Por volta das 18:30 ligaram novamente: “Gady não conseguimos entregar a ave, és capaz de tratar disso?”, “Claro que sim” respondi. Para ser sincero pensei para comigo: “Caramba a ave já poderia estar no centro há horas atrás…”

Enquanto não me entregaram a ave liguei para o CERAS de Castelo Branco para expor a situação, após isso contactei o SEPNA para o número 808 200 520 e o Posto da GNR local a fim de combinar a recolha. Mas o tempo foi passando e o pobre animal já estava fechado dentro de uma caixa há pelo menos 10 horas. Comigo já estava há cerca de hora e meia…

 

 

Voltei a ligar e ainda não havia previsão para a recolha da ave assim contactei o CERAS de Castelo Branco de novo e comprometi-me a lá ir entrega-la pessoalmente.

Tive de trocar a coruja para uma caixa mais pequena para lhe limitar os movimentos e ir mais confortável na viagem. Apesar do movimento de uma caixa para a outra, pedi para tirarem fotografias no instante em que fazia a mudança.

 

 

Uma questão de segundos. Reconheço que ali houve uma falha, pois não reparei que o flash estava ligado. Foi um erro que poderá ter causado mais stress ao animal, mas tinha um objectivo mais forte. Entrega-la para recuperação.

 

 

Depois de 160 km ida e volta cheguei a casa com a sensação de missão comprida, pois entreguei-a em mão. Felizmente chegou lá com vida.

Aproveitei para perguntar acerca de uma águia-cobreira que foi lá entregue no princípio de Julho. Estava a recuperar bem. Depois de uma caçada mal sucedida acabou por embater num rail da estrada e feriu uma asa…

Quanto a esta coruja do mato, vou ficar em contacto para saber quando voltará a ser libertada!

 

 

Não se esqueçam, nestas situações, o animal convém ser entregue o mais rapidamente possível, pois disso pode depender a sua sobrevivência. Convém sempre contactar o centro de recuperação mais próximo da zona onde foi encontrado ou ligar para as autoridades como por exemplo o SEPNA. Se tiveres de recolher o animal tenta cobri-lo calmamente com uma toalha ou algo do género para evitar ferimentos a ambos em caso de resistência por parte do animal. Coloca-o numa caixa com furos para entrar o ar, não muito grande para lhe limitar os movimentos. Até à recolha do animal mantém a caixa num local calmo, não muito frio nem muito quente.

Tem o mínimo de contacto possível para causar o mínimo de stress. Não lhe dês alimentos ou medicação pois poderá ser pior para o animal.

Claro que podemos sempre divergir um pouco a metodologia. Boa sorte para possíveis encontros deste tipo.

Abraço!

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