Lodão – uma árvore autóctone.

“Ginginha do Rei” … Este é um dos muitos nomes de que é apelidada esta bonita árvore da nossa flora autóctone. Celtis australis é o seu nome científico já os nomes comuns variam de zona para zona. Lodão-bastardo, lodão, lodoeiro, nicreiro. Mas na minha infância sempre o conheci como anicreiro.

Ainda me recordo em terras raianas, mais precisamente em Idanha-a-Nova, trepar por estas árvores acima a fim de comer as suas belas e doces bagas. Naquela zona cresciam afastados nos fragaredos bem acima do rio Ponsul.

É uma árvore bonita e frondosa de folha caduca que deveria existir por todo o Concelho de Mação, mas em vez disso é muito pontual e rara. Posso nomear 3 locais onde a vi: em frente ao café Portas do Sol na Amêndoa está um belo exemplar. Em Mação encostado a um sobreiro quando passamos a ponte em direcção às bombas e um outro exemplar no Monte Fundeiro da Amêndoa. Outros exemplares existirão por aí, mas em número muito reduzido.

 

 

O lodão-bastardo habita preferencialmente em zonas com alguma humidade, com solos frescos, é frequente encontrá-lo junto a cursos de água o que não impossibilita que existam noutros locais, tal como em Idanha.

Pode atingir um porte razoável, nas Mouriscas conheço alguns exemplares com cerca de 25 a 30 metros de altura. O tronco desta árvore é de cor acinzentada, liso e recto.

 

 

As folhas como podem ver na foto são ovado-lanceoladas e serrilhadas na orla, com cerca de 15 cm. Na parte superior são algo ásperas, já na parte inferior apresentam “pelos” curtos parecendo que estamos a passar o dedo sobre veludo.

 

 

Por esta altura do ano já tem as suas bagas a amadurecer, passando do verde para o amarelo e quando negras estão prontas a comer, as aves adoram! O interior do fruto é amarelo e contém uma semente, podem provar, pois, é comestível.

 

 

Pelo que já experienciei são fáceis de propagar por semente, basta passarem por um processo de maceração para separar a polpa da semente e uma raspagem para quebrar o tegumento impermeável que a semente contém, semeadas a cerca de 1cm de profundidade basta esperar até à primavera para as ver germinar. Também se propagam por estaca, mas prefiro por semente.

Outra coisa que reparei é que tem grande resistência à seca, mesmo quando pequenas. Ao contrário de muitas outras árvores o lodão apresenta grande resistência quando afrontado com erva alta e densa, quando não tem porte para ultrapassar a altura da vegetação.

É uma árvore muito usada como ornamental, por exemplo na zona industrial de Alferrarede foi a espécie escolhida para ornamentar as ruas o que faz todo o sentido. As árvores autóctones são para usar e preservar e além disso estão perfeitamente adaptadas ao clima da região.

É sem dúvida alguma uma árvore belíssima que nos transmite todas as estações do ano, apresentando 4 fases bem distintas.

 

 

No inverno completamente despidas onde o chão fica coberto com as suas folhas em decomposição, na primavera cheia de rebentos e folhas tenras, no verão as folhas apresentam um verde mais consistente e com as suas bagas verdes, no outono as folhas a mudar de cor e os frutos completamente maduros… ou seja é uma árvore de sensações!

Grande abraço!

Gady.

7 thoughts on “Lodão – uma árvore autóctone.

    • Obrigado 🙂 Bom em primeiro lugar, recolher a semente logo que comece a escurecer. Depois coloca-las em água durante uma semana para ser mais fácil separar a poupa da semente. Deixar secar um ou dois dias à sombra e em seguida lixar um dos lado com uma folha de lixa (sem entrar no interior da semente. É apenas para a humidade chegar mais facilmente ao embrião 🙂 Por fim coloca-las na terra (1 cm de profundidade) Deixar o recipiente onde as colocou no exterior (à sombra) se chuver tudo bem, se houver semanas sem chover colocar alguma água de vez enquanto. Esperar até ao final da primavera para ver os resultados :p Abraço!!!

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  1. A nova lei feita por quem nunca fez uma Boa caminhada na Natureza é tão descabida que não dá . No Alentejo temos de agir de modo diferente do modo de actuar no Minho . A devastação é assustadora .
    Quanto à espécie apresentada tem uma bem perto de mim e eu já tive uma no meu Jardim que durou 10 anos morreu este verão, mas nunca vi as bagas de que falou .

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  2. Gostei de ler e saber, conheço bem a de Amêndoa.
    Se todos respeitassem a Natureza e começando pelas entidades oficiais , exemplo da infra-estruturas de Portugal que para mim o que estão a fazer a cortar árvores centenárias ( pinheiros) na estrada N 241, no cruzamento do Pereiro, o pouco verde que restou e dicilmente iria arder,cortam ,e continuam a cortar na estrada ch de Codes , e por aí fora.Os nossos avós plantaram e eles destroem! Assim acaba-se com os pinheiros! Os tecnocratas de meia tigela que fazem estas leis aberrantes de cortar tudo numa faixa de 15 metros ao longo da estrada, gostava de saber para proteger o quê? se não há vontade política para acabar com os incêndios e grandes interesses a eles liga dos!deveriam ter mais respeito pela naturesa, mais consciência ecológica!
    Um abraço 🤗

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    • Boas! Concordo com tudo o que escreveu. Se essas árvores não arderam e não estão em perigo de cair, não faz sentido cortarem-nas. Qualquer dia temos de sair do concelho para puder ver árvores com porte igual a estes pinheiros que foram abatidos..
      Abraço!

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