O Feto-real…

O Feto-real…

De entre as plantas que sempre me despertaram a atenção estão os fetos, sempre associados a zonas frescas e a um verde reconfortante…

Pertencem ao grupo das pteridófitas (Filo Pteridophyta). Este grupo de plantas caracteriza-se pelo facto de serem plantas vasculares (possuem vasos condutores, o xilema e o floema), mas ao contrário de muitas outras não dão flores nem tão pouco sementes…

Mas a natureza é hábil na diversidade de mecanismo que põe ao dispor dos seres vivos, assim este grupo de plantas está capacitado para se reproduzir através de esporos.

Nas minhas caminhadas pelo campo, este tipo de plantas, são fáceis de encontrar, por entre as rochas, nos troncos das árvores, junto a nascentes, nas margens das ribeiras, enfim são muitos os locais onde os podemos encontrar. Desde que haja humidade… é uma espécie presente neste tipo de habitats.

O maior feto que encontramos na nossa flora nativa é sem dúvida o feto-real (Osmunda regalis), normalmente prospera nas margens de ribeiros, ou outras zonas onde a humidade esteja sempre presente…

Do rizoma lenhoso nascem folhas enormes. Dependendo das condições onde se encontra podem chegar aos dois, três metros de altura. São folhas recompostas, não confundam os folíolos com folhas!

Ao contrário de muitos outros fetos onde os soros (local onde são produzidos os esporos) aparecem na página inferior das folhas.

Nesta espécie aparecem em frondes férteis, onde estas estruturas que produzem os esporos aparecem, inicialmente são verdes e ao amadurecerem vão ficar com uma cor semelhante a ferrugem e então largar os esporos.

Bem sabemos que o nosso povo é hábil a contar histórias e lendas, assim também esta planta surge associada a lendas contadas pelos mais velhos…

Esta lenda é grande, está associada a Mouras encantadas, vou só escrever a parte em que falam do feto-real:

“… ainda hoje dizem que há para lá uns fetos a que chamam fetos reais. Esses fetos dão semente. Quem lá fosse à meia-noite, na noite de São João e levasse um manto, teria de estende-lo por baixo das folhas do feto-real… quando a semente ao cair tocasse no manto, tornar-se-iam em ouro…”

Abraços!

Gady

Referências:

https://herbaria.plants.ox.ac.uk/bol/plants400/Profiles/OP/Osmunda

https://www.ct-botanical-society.org/

https://byjus.com/biology/pteridophyta/

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