Sardão – o maior lagarto da nossa fauna.

Conheço o Concelho de Mação há mais de 20 anos, tempo suficiente para conhecer o melhor e o pior no que diz respeito ás paisagens naturais. Uma terra rica em fauna e flora por estes dias passa um período menos famoso das últimas décadas. Problemas como a desertificação, alteração do coberto vegetal, influência em muito a fauna que vamos encontrando, e se para mim antes era frequente observar um sardão (Timon lepidus) a cruzar a estrada ou estatelado a apanhar sol em cima de uma fraga, nos dias de hoje estes momentos tornaram-se raros.

Os sucessivos incêndios influenciam negativamente a supervivência de várias espécies, e esta não é exceção. Animais que eram comuns tornaram-se raros. Já lá vão uns anos desde que observei pela última vez este bonito lagarto no concelho de Mação. Na altura um grande exemplar debatia-se pendurado no bico de uma garça-real em Casais de São Bento. Outras ocasiões existiram, cheguei mesmo a observar espécimes dentro da vila.

Este é o maior lagarto que podemos encontrar em Portugal, pode atingir cerca de 70 cm. É um animal robusto de cor verde onde se destacam várias manchas pretas, nos flancos facilmente observamos ocelos azuis, daí, também ser conhecido por lagarto-ocelado.

Agora a viver no Concelho de Mogadouro volto a cruzar-me com alguma regularidade com este belo animal. No final de agosto deste ano, deparei-me com um belíssimo exemplar que escolheu como abrigo, um buraco num muro de pedra seca. Se observarmos bem a fotografia estaria a mudar de pele.

Sardão (Timon lepidus)

Por esta altura do ano e nas regiões mais frias hiberna, só voltando a ficar ativo na primavera. A alimentação do sardão é variada, e pode ser seduzido simplesmente por fruta. Alimenta-se por exemplo de ovos, pequenos mamíferos, aves, anfíbios, insetos entre outros pequenos animais.

Em tempos idos este animal fazia parte da dieta alimentar de muita gente. Em Idanha-a-Nova, recordo-me do o meu avô Manuel Roseiro, me dizer o quanto aqueles lagartos eram saborosos. Também a minha mãe reforçou esta a ideia relembrando-se do seu pai chegar a casa com um grande lagarto nas mãos. Já lá vão uns anos, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, e por vezes também as dietas!

 Grande abraço!

Gady

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