O Carvalho-negral

Como podemos imaginar a floresta portuguesa é rica e diversa, contudo em muitos pontos do nosso país esta se tenha tornado praticamente irreconhecível. Seja devido a fenómenos como os incêndios, a introdução de espécies exóticas com caracter invasivo entre outros fenómenos.

Ao longe a Serra de Figueira no Concelho de Mogadouro. Foto: (Gady) Rui Santos

Entre as várias espécies de árvores nativas que fazem parte da nossa floresta autóctone, hoje por terras de Mogadouro destaco o carvalho negral (Quercus pyrenaica). Pertence à família Fagaceae e ao género Quercus dos quais posso destacar a título de exemplo o sobreiro (Q. suber), a azinheira (Q. rotundifolia) ou o carvalho-português (Q. faginea) entre outras espécies.

Carvalho Negral – Na primavera começam a despontar novas folhas. Como podem observar na fotografia, além do verde estas apresentam tons rosados … Foto: (Gady) Rui Santos

Distribui-se pelo norte de África, Península ibérica e sudoeste de França.

Nos dias de hoje os grandes exemplares começam a rarear, pelo que o abate de uma árvore de grande porte desta espécie é uma fatura a pagar por muitas gerações.

É uma árvore de sensações e bem o podemos dizer agora que o inverno se aproxima a passos largos precipitando a desfolha desta bonita árvore. Ao olhar observamos a alternância de tonalidades que vão variando de verdes, amarelos, vermelhos, ocres e castanhos, são estas as cores outonais com que esta maravilhosa árvore nos presenteia.

Aprecio este carvalho por muitos aspetos, nomeadamente pela forma das folhas, os lóbulos são muito pronunciados quase tocando na nervura principal da folha.  Ao toque são muito tomentosas, dando a impressão que estamos a tocar em pelo muito felpudo, principalmente na página inferior da folha. É de folha caduca ou marcescentes pois existem indivíduos que perdem totalmente a folha, enquanto em outros as folhas permanecem na árvore mesmo depois de secas, daí o carvalho negral também ser conhecido por carvalho pardo. Bem o podemos dizer nesta altura ao encontrar carvalhos cobertos de folhas acastanhadas.

A casca é cinzenta e gretada, em situações normais com um tronco ereto. No Verão com uma copa densa, por estes dias as árvores começam a preparar-se para o frio, altura em que podemos mais facilmente apreciar a forma do seu tronco e ramos.

Com o passar dos anos e séculos pode alcançar cerca de 25 metros de altura.

Nos ramos aparecem pequenas estruturas arredondadas. São os bugalhos que muitos confundem julgando se tratar de sementes. Mas a semente do carvalho é a bolota, o bugalho não é nada mais nada menos que uma reação da árvore à picada de um inseto. Dentro do bugalho há vida, lá dentro abriga-se e alimenta-se a lagarta da vespa das galhas. Por vezes nas folhas encontramos outro tipo de galhas pequenos estruturas de forma arredondada.

Nos bosques onde abundam carvalhos, abunda a biodiversidade. É uma árvore generosa, seja pelo abrigo e alimento que proporciona à fauna, seja pelos solos ricos em matéria orgânica que se formam abaixo das suas copas que permitem a existência de um incontável número de espécies.

Sem dúvida alguma, o carvalho negral é uma árvore a preservar.

Estejam atentos e boas observações.

Foto: (Gady) Rui Santos

Um feliz natal e um prospero ano novo!

Grande Abraço.

Gady (Rui Santos)

2 thoughts on “O Carvalho-negral

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