A cobra-de-água-de-colar-mediterrânica.

Há uns meses atrás cruzei-me com uma pequena cobra. Como adoro este tipo de animais e apesar de apenas estar munido com o telemóvel, não resisti a tirar umas fotografias para escrever algo aqui no respiranatureza.com. Já lá vão uns meses (janeiro de 2021), mas aqui ficam umas notas:

A cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix) distribui-se por quase toda a Europa, parte da Ásia e Norte de África, os indivíduos desta espécie encontrados na Península Ibérica e Norte de África eram considerados uma subespécie (N. n. helvetica) da mesma. Hoje em dia os indivíduos da Península Ibérica e Norte de África receberam o estatuto de espécie, a cobra-de-água-de-colar-mediterrânica (Natrix astreptophora).

Natrix astreptophora

Esta cobra é uma excelente nadadora, apesar do nome pode ser encontrada longe de rios, charcas, poços entre outros habitats aquáticos. Este individuo encontrei-o no meio da serra dentro de uma poça de água temporária, estava repleta de girinos de sapo-parteiro, certamente estaria a alimentar-se… Alimenta-se de outros anfíbios, pequenos peixes, invertebrados entre outros seres que consiga capturar.

Em Portugal é mais comum no centro e norte, sendo a sua distribuição mais fragmentada na metade sul do país.

Este individuo que encontrei não era dos maiores que vi, media cerca de 60 cm, podendo esta mesma espécie atingir mais de 150 cm.

É de cor verde acinzentado, no entanto podemos encontrar indivíduos com tons acastanhados, ponteada com pequenos pontos negros irregulares como podemos observar na fotografia. Apresenta a íris dos olhos amarelada ou alaranjada com a pupila negra circular.

O nome cobra de colar surge pelo facto dos juvenis desta espécie apresentarem duas manchas claras no pescoço que formam um colar orlado de negro. Estas machas claras neste espécime já desapareceram, notando-se ainda a orla negra que vai desaparecer com a idade.

Nas fotografias abaixo cedidas pelo amigo Gonçalo de Carvalho podemos observar um individuo juvenil.

Alguma bibliografia muito útil:

ARNOLD, E. N.; BURTON, J. A. (1985) – A Field Guide to the Reptiles and Amphibians of Britain and Europe. William Collins Sons & Co Ltd Glasgow, Great Britain.

ALMEIDA, N. F., ALMEIDA, P. F., GONÇALVES, Helena, SEQUEIRA, Fernando, TEIXEIRA, José, ALMEIDA, F. F. (2001) – Guia de Campo dos Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS.

MARAVALHAS, Ernestino, SOARES, Albano (2017) – Anfíbios e Repteis de Portugal / Amphibians and Reptiles of Portugal. Booky Publisher.

LOUREIRO, Armando; ALMEIDA, Nuno Ferrand; CARRETERO, Miguel A.; PAULO, Octávio S. (2008) – Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. INOVA Artes Gráficas. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade

Grande abraço e boas observações!

Até ao próximo artigo.

Gady

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