Carqueja (Pterospartum tridentatum)

Carqueja (Pterospartum tridentatum)

No fim de semana passado fui até ao marco geodésico do alto da Ventosa. Ainda me recordo como aquilo era há uns 15 anos atrás, com muitos pinheiros, agora encontram-se apenas alguns vestígios de outros tempos como este velho pote de barro usado no tempo em que se resinava os pinheiros. Hoje é um enorme descampado, o que ficava por ali bem era uma grande seara, mas por estes lados “não se usa”.

Mas em qualquer lugar onde passemos há sempre algo de interessante para ver. Naqueles terrenos vemos somente mato rasteiro, e o que faz ali “zoar” são as toutinegras-do-mato (Sylvia undata) com a sua vocalização característica que mais parecem mandar-nos calar.

Por entre o mato rasteiro destacam-se as carquejas (Pterospartum tridentatum), pois já estão em flor. Como se costuma dizer, estas madrugaram (risos), pois são as primeiras que vejo em flor este ano, noutros locais por onde tenho passado ainda tardam. Ao longe até as podemos confundir com os tojos que já estão em flor, também estas de cor amarela.

A carqueja é um arbusto muito ramificado e denso logo a partir da base, não muito alto cresce até um metro, mas geralmente é mais rasteiro. Sei que em Portugal existem três subespécies de carqueja, mas ainda não me dei ao trabalho de as procurar e diferenciar.

As suas “folhas” são um pouco estranhas, pois basicamente não as vemos, isto porque são muito rudimentares, quando olhamos para os caules desta planta reparamos que tem umas “membranas” opostas, as ditas “folhas rudimentares” da carqueja.

Estas bonitas flores amarelas mais tarde vão dar origem ao fruto, uma pequena vagem, ou seja a carqueja é uma leguminosa.

Com as suas flores podemos fazer chá, e com os seus ramos podemos temperar carne, por acaso foi o que fiz hoje, com uns bifes de peru, em que os temperei com sal, carqueja, dois dentes de alho, e uma pitada de vinagre, mas isto é a nível culinário. A nível medicinal a carqueja tem propriedades benéficas, pois reduz o colesterol, ajuda a regular o trânsito intestinal e é um potente desintoxicante do fígado entre outros benefícios que desconheço.

Uma outra planta que está em floração no local é a háquea-espinhosa (Hakea sericea), uma perigosa invasora de que já falei num artigo publicado no ano passado: https://respiranatureza.com/2016/09/14/pinheiro-ratinho/ .

De volta a casa ainda consegui esta fraca fotografia de uma águia-de-asa-redonda pousada no topo de um pinheiro.

Abraço!

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