A lagartixa-do-mato Ibérica …

A lagartixa-do-mato Ibérica

Há dias, numa das minhas caminhadas perto de casa e com um pouco mais de atenção. Reparei na existência de uma população de lagartixa-do-mato Ibérica, Psammodromus occidentalis. Um endemismo ibérico…

 

 

Falando de lagartixas do mato, muitos poderão dizer: “Grande novidade, isso é o que mais para aí há!”. E de facto é verdade. Esta espécie partilha o território com a bem conhecida e comum lagartixa-do-mato Psammodromus algirus (que tem uma distribuição mais ampla no território nacional).

Nas foto em baixo: à esquerda a lagartixa-do-mato Ibérica e à direita a lagartixa-do-mato comum.

 

 

Ambas as espécies são da família Lacertidae, do género Psammodromus. As lagartixas deste género, distinguem-se das restantes por apresentarem escamas carenadas no dorso e na parte dos flancos (da “anca” até à “axila”).

 

 

Não ultrapassam os 15 cm de comprimento. A coloração varia entre verdes, castanhos, cinzentos, ocre e branco. Nos flancos são perceptíveis duas linhas de cor verde, que também podem ser mais amareladas. No dorso observo duas linhas dorsais interrompidas por uma coloração mais escura. O ventre é esbranquiçado.

 

 

Este local onde vivem varia um pouco, entre hortas com muitas espécies de gramíneas e herbáceas. Zonas de sub-arbustos, onde encontramos espécies como a esteva, o sanganho-mouro, tojo, rosmaninho entre outras e também espaços abertos sem vegetação, mais ou menos pedregosos. Também uma orla de uma “floresta” se é que assim lhe posso chamar, composta por eucaliptos já deixados ao abandono.

 

 

A população que aqui encontro parece estável, pois consegui observar bastantes indivíduos no pouco espaço percorrido.

Normalmente encontravam-se na “fronteira” entre a orla da vegetação mais densa e os espaços sem vegetação onde caçava pequenos seres (insectos, aracnídeos, etc…). Deste modo, com mais facilidade escapariam para o meio da vegetação em caso de perigo.

A distribuição desta espécie em Portugal não é contínua e é inexistente em muitas partes. Devido a isso, populações isoladas estão em maior risco de extinção. Fogos e alterações nos habitats não são um bom prenúncio para a sua existência. Provavelmente, a população que aqui encontrei talvez se encontre isolada, basta pensar nos incêndios que têm ocorrido regularmente nas últimas décadas.

 

Aqui podem encontram alguma informação que escrevi sobre a lagartixa-do-mato comum Psammodromus algirushttps://respiranatureza.com/2018/09/19/quem-nao-conhece-a-lagartixa-do-mato-psammodromus-algirus/

 

Abraço e boas observações!

Gady

 

Alguma bibliografia muito útil:

ARNOLD, E. N.; BURTON, J. A. (1985) – A Field Guide to the Reptiles and Amphibians of Britain and Europe. William Collins Sons & Co Ltd Glasgow, Great Britain.

ALMEIDA, N. F., ALMEIDA, P. F., GONÇALVES, Helena, SEQUEIRA, Fernando, TEIXEIRA, José, ALMEIDA, F. F. (2001) – Guia de Campo dos Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS.

MARAVALHAS, Ernestino, SOARES, Albano (2017) – Anfíbios e Repteis de Portugal / Amphibians and Reptiles of Portugal. Booky Publisher.

LOUREIRO, Armando; ALMEIDA, Nuno Ferrand; CARRETERO, Miguel A.; PAULO, Octávio S. (2008) – Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. INOVA Artes Gráficas. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade

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